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Dom, Abr
7 Novos artigos

dom paulo mendes peixotoDom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

A história do cristianismo registra a presença destas duas figuras, que fizeram parte dos seguidores de Jesus Cristo e, curiosamente, apesar de origens distantes, foram martirizados na cidade de Roma, onde também sepultados. Suas sepulturas estão em duas basílicas diferentes: na de São Pedro e na de São Paulo fora dos muros, constituindo as colunas da Igreja.

Os bispos diocesanos são convocados, de cinco em cinco anos, para rezar uma missa diante da sepultura de cada um desses apóstolos na intenção do povo de suas dioceses. É uma forma de estar renovando sua missão. Pedro representando a instituição: "Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja" (Mt 16, 18). Paulo representando o papel missionário da Igreja no mundo.

No livro dos Atos dos Apóstolos encontramos as viagens missionárias de Paulo. Ele revela sua preocupação missionária quando, num brado, manifesta: "Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé" (II Tm 4, 7). Na defesa da fé em Deus, Pedro é pregado na cruz, de cabeça para baixo, e Paulo degolado, ambos derramando o sangue por acreditar na realização do projeto de vida.

Sucedendo Pedro e investindo o espírito de Paulo, o papa Francisco tem convocado a Igreja para renovar seu espírito missionário. Precisa tornar-se uma Igreja "em saída", superando o comodismo e a burocracia, acolhendo melhor as pessoas. Além das palavras, seu testemunho de simplicidade e coerência tem sido uma total provocação para todo o mundo cristão.

Francisco tem insistido numa Igreja que tenha as marcas "da verdade, da bondade, da beleza, da ternura e da misericórdia". A missão encontra motivação nestas palavras, criando alegria no anúncio do Evangelho. Ele diz não querer "cristão com cara de funeral", ou "cara de Quaresma sem Páscoa".

Estamos aí diante dos desafios da missão, motivados também pelo enunciado da "comunidade de comunidades, a nova paróquia". Os cristãos de hoje, no seguimento de Pedro e Paulo, enfrentam as maldades da nova cultura e devem agir para cultivar um mundo mais humano e de paz.

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Celebramos hoje a festa do amado e venerado Santo Antônio, que sempre nos atrai inclusive pela sua apresentação iconográfica portando o Menino Jesus sobre a Bíblia, cheio de ternura e de atenção amorosa. Este santo é muito atual, pois nos lembra que no nosso cotidiano perpassado não raro de necessidades, aflições e angústias temos um amigo que sempre nos atende, que nos escuta, que tem um olhar bondoso para a nossa frágil situação, lembrando a compaixão e a misericórdia divina.

Seus sinais de resposta, os anunciados milagres são explicitação de quem apóia, consola, e sempre nos ajuda no nosso caminhar especialmente reforçando nosso trabalho, família e saúde, as demandas essenciais do nosso viver e conviver. Diante de uma mentalidade hedonista que proclama a tirania do prazer e a desconstrução da família, ele com seus ensinamentos a escora no amor cristão, indicando o caminho da felicidade conjugal, tornando a cada lar um remanso de alegria e de paz.

Diante de um crescente descaso e esquecimento da nossa comunhão com a mãe terra e suas criaturas, ele nos motiva a comunicarmo-nos com todos os seres vivos, com amor e mansidão, como falou aos peixinhos. E face ainda a uma globalização perversa que fez retornar o capitalismo selvagem e a escravidão, recordamos duas grandes batalhas em prol dos pequenos e dos pobres que Santo Antônio livrou. A primeira foi a emancipação da escravidão por dívidas, fazendo aprovar uma lei que se encontra na Municipalidade de Pádua.

A outra foi a denúncia incessante contra os juros escorchantes que exploravam os pobres: camponeses e trabalhadores. Fustigou seriamente a avareza e a luxúria que levavam ao indiferentismo e a opressão dos pequenos, precipitando-os na sarjeta do crime e da prostituição.

Foi um incansável pregador e profeta da Palavra de Deus da qual se tornou, guardião, interprete e sábio educador. A humanidade inteira cresceu em fraternidade, bondade, e a paz como dom divino, ouvindo e acolhendo nos seus corações o testemunho cordial e amoroso deste incomparável filho de São Francisco.

Deus seja louvado!

A palavra Eucaristia é de origem grega e significa "Ação de Graças". Designa-se assim o conjunto da celebração. Mas chama-se também Eucaristia a liturgia eucarística que constitui a terceira parte da missa, com a oração eucarística, depois da liturgia da Palavra. Chama-se igualmente Eucaristia a hóstia, o pão consagrado que recebemos pela comunhão e que adoramos em todo o tempo no sacrário.

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dom odilo pedro schererCardeal Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

O fato eclesial de maior destaque desses últimos dias foi, sem dúvida, a peregrinação do papa Francisco à Terra Santa, com vários momentos muito significativos. O principal deles foi o encontro com o patriarca ecumênico greco-ortodoxo Bartolomeu 1º, na basílica do santo sepulcro, dia 25 de maio.

Francisco quis repetir, 50 anos depois, o encontro histórico de Paulo VI com o patriarca Atenágoras, que aconteceu ainda em pleno andamento do Concílio Ecumênico Vaticano II. Aquele memorável encontro rompeu o gelo entre Roma e Constantinopla, que perdurava há vários séculos, sem que tivesse havido mais nenhum encontro entre um papa de Roma e um patriarca ortodoxo de Constantinopla.

O abraço entre os dois chefes de Igrejas abriu imensas esperanças para o caminho ecumênico, tão desejado pelo Concílio, levando a crer que, em breve, poderia acontecer a reconciliação plena entre as duas Igrejas e a reconstituição da unidade entre católicos e ortodoxos, rompida pelo cisma do Oriente, em 1054. A questão mais complicada nas relações ecumênicas entre as duas Igrejas é eclesiológica, relativa ao primado do sucessor de Pedro e ao exercício do ministério petrino na Igreja.

Em 25 de julho de 1967, iniciando o ano da fé em memória do 19º século martírio dos apóstolos Pedro e Paulo, e já tendo sido encerado o Concílio, Paulo VI escreveu ao mesmo patriarca Atenágoras, com o propósito de avançar no caminho ecumênico: "este desejo leva a uma vontade resoluta de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que chegue o dia do restabelecimento pleno da comunhão entre a Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente".

Muito caminho de aproximação tem sido feito ao longo desses 50 anos, mesmo que isso não apareça sempre claramente a todos: foram levantadas as recíprocas excomunhões, instaurou-se um diálogo teológico e mesmo doutrinal entre as duas Igrejas; acontecem gestos de recíproco apreço, como a presença de um representante do Patriarca de Constantinopla na solenidade de São Pedro e São Paulo e de um representante do Papa na festa patronal de Santo André, no patriarcado de Constantinopla. Mais que tudo, foi significativa a presença do próprio patriarca Bartolomeu 1º na missa de início do pontificado do papa Francisco, no dia 19 de março de 2013.

Agora, no encontro ecumênico de Jerusalém, muito desejado por Francisco e patrocinado pelo Patriarca ortodoxo, esse caminho ecumênico retoma fôlego. A Declaração comum entre os dois chefes de Igrejas deixa claro o propósito de buscar a plena unidade e de não se deixar abater pelas dificuldades que o caminho da unidade plena apresenta. Os discursos diante do monumento ao santo sepulcro recordaram bem: não parecia também o túmulo o fim de toda esperança? E eis que ele está vazio! Jesus venceu até mesmo a morte, último obstáculo para a realização do desígnio de Deus. Pode haver algo impossível para que o sonho da unidade plena da Igreja se realize?!

Claramente, as dificuldades não são desconhecidas ou subestimadas, nem pelo papa, nem pelo patriarca. Mas as falas foram repletas de esperança e de convites à perseverança, na firme certeza de que o desejo expresso de Jesus não é a divisão, mas a unidade da sua Igreja. Durante a cerimônia ecumênica, alguém comentou sobre a variedade das vestes dos representantes das Igrejas cristãs, sobretudo dos solidéus, véus e capuzes de ortodoxos, armênios, coptas, católicos latinos, armênios, maronitas, coptas, melquitas... "Os chapéus são diversos mas... uma só é a cabeça da Igreja". Mesmo se as tradições rituais, disciplinares e histórico-culturais são diversas, a unidade da Igreja se constrói sob a única cabeça do corpo, que é Cristo, Senhor da Igreja.

A celebração da Morte e Ressurreição de Jesus, neste ano, reveste-se de especial importância para nossa Diocese, pois estamos vivendo a primeira Páscoa do lançamento do nosso Primeiro Plano de Pastoral.

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Pastoral da Esperança de Marília
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