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Dom, Abr
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Misericórdia e Encarcerados

Mensagens do Bispo

Estamos no Ano da Misericórdia e o nosso pensamento se volta para uma realidade marcante em nossa Diocese: os cárceres. O Papa Francisco nos lembra que visitar os presos é uma das obras de misericórdia: "Redescubramos as obras de misericórdia corporal: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos (MV, 15)". E o próprio Cristo nos fala no Evangelho de São Mateus: "Estive preso e fostes me visitar" (Mt 25, 36).

Atendendo ao preceito evangélico, a Pastoral Carcerária é a presença de Cristo e de sua Igreja no mundo dos cárceres, onde procura desenvolver todos os trabalhos que essa presença vem a exigir. Procura estar junto das pessoas privadas de liberdade pois "só a proximidade que nos faz amigos, nos permite apreciar profundamente os valores das pessoas privadas de liberdade, seus legítimos desejos e seu modo próprio de viver a fé. À luz do Evangelho, reconhecemos sua imensa dignidade e seu valor sagrado aos olhos de Cristo, pobre como eles e excluído como eles. Desta experiência cristã compartilharemos com eles a defesa de seus direitos" (DAp, 398).

Portanto, a missão da Pastoral Carcerária é ser presença cristã no mundo do Cárcere, a exemplo de Jesus Cristo, que veio para que todos tenham Vida (Jo 10,10). A missão da Pastoral Carcerária é: promover, defender, amar e servir a Vida; entrar nas cadeias como Boa Notícia, ser revelação constante da pessoa de Jesus, para que o ser humano se liberte; escutar e ver a pessoa aprisionada como filho e filha de Deus, pois é Cristo, ali presente, atrás das grades; ajudar o ser humano a assumir a própria vida, agindo de maneira que ele se sinta gente.

No dia 18 de junho, em visita pastoral à Paróquia Nossa Senhora da Glória, de Tupi Paulista, tive a oportunidade de visitar a Penitenciária Feminina, juntamente com o Pe. Valdo Bartolomeu de Santana, assessor diocesano da Pastoral Carcerária, e com uma animada equipe de leigos e leigas. A acolhida calorosa que tivemos, por parte das detentas e dos agentes penitenciários foi marcante. Gostaria que todos os cristãos, neste ano da misericórdia, pudessem sentir e viver o que vivemos através desta visita. Foi um momento especial de oração, testemunho e solidariedade, senti que podia ser tocado pela pessoa de Jesus Cristo, através daquela celebração.

Porém, como afirma Gerhard Lohfink, "Ser tocado pela causa de Deus de tal modo a desfazer-se de tudo, em última instância, não é possível fazer apenas pela consciência do dever, apenas pelo 'tu deves!' Ou pelo 'tu tens de!' Que em liberdade queiramos o mesmo que Deus, isso só é possível se olharmos fisicamente a beleza da causa de Deus, de tal modo que encontramos alegria, sim, prazer naquilo que Deus quer fazer no mundo, e que esse prazer em Deus e em sua causa é maior que tudo que temos em nossa auto referência" (Lohfink, G. Jesus de Nazaré, Petrópolis, Vozes, p. 3025).

Deixo aqui meu respeito, minha admiração e minhas orações a todos os agentes da Pastoral Carcerária de nossa Diocese de Marília. Que possamos experimentar, tocar mesmo, a Misericórdia e manifestar a todos, especialmente aos sofredores e encarcerados, o rosto da misericórdia do Pai: Jesus Cristo.

Pastoral da Esperança de Marília
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