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Dom, Abr
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Homilia da missa de Nossa Senhora Aparecida na Catedral

Mensagens do Bispo

Caros Irmãos e Irmãs, celebramos hoje a festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira Principal do Brasil. O povo a chama simplesmente de Nossa Senhora Aparecida. Queremos também, com esta solene liturgia, abrir o Ano Nacional Mariano em nossa Diocese.

As leituras da Palavra de Deus destacam o papel de Maria como intercessora. A primeira leitura de hoje apresenta a figura bíblica da rainha Ester, que intervém junto ao rei por seu povo, Israel. O pedido da rainha Ester: “Salva meu Povo”, conseguiu proteção para o povo dominado. Na segunda leitura a Mulher do Apocalipse protege seu filho messiânico e no evangelho aparece com maior clareza o papel mediador de Maria a favor do povo. É o evangelho das bodas de Caná.

Maria está presente numa festa de casamento, e também Jesus e seus companheiros. Quando falta vinho, Maria chama a atenção de Jesus para o impasse. E quando Jesus, misteriosamente, responde que ainda não chegou a sua hora, pois sua hora mesmo é a “hora” da cruz, Maria não deixa de acreditar que Jesus transformará as bodas deste mundo em festa messiânica de plena alegria, vinho novo do tempo novo. Maria recomenda aos servidores que executem o que Jesus lhes disser, confiante no projeto de Deus e no filho que Deus lhe deu. Maria assume sua missão de confiar o mundo a Jesus.

Convém observar que Maria aparece como a “Senhora Mãe”, o tratamento hebraico “Mulher” significa isso. Maria sente-se responsável pelo que diz respeito à sua família. O evangelho nos mostra Jesus dando início aos sinais da sua grande obra, antes que se realize a sua “hora”. A abundância de vinho é um sinal de que Jesus vem cumprir a missão messiânica, mas esta missão só é levada a termo na hora da sua morte e glorificação.

A idéia da intercessão, na presente liturgia, concerne sobretudo à Pátria Brasileira. Pode-se pedir a Maria que ela cuide para que a ninguém faltem as condições para viver dignamente. Mas que neste pedido, então, se traduza também a disponibilidade para colaborar e participar no grande testemunho de amor que Cristo iniciou e assinalou por seu primeiro “sinal” em Caná. Ou seja, que os pedidos exprimam a vontade de colaborar no reino de paz e amor. Se pedimos bênçãos pela Pátria Brasileira, pelas nossas famílias, pelos jovens e pelas crianças, por saúde, devemos estar dispostos a nos tornar instrumentos daquilo que pedimos.

E como vamos ser instrumentos da paz de Jesus? Praticando as obras de misericórdia. O Papa Francisco nos diz: “É meu vivo desejo que o povo cristão reflita sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual... Redescubramos as obras de misericórdia corporal: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. E não esqueçamos as obras de misericórdia espiritual: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas, rezar pelos vivos e defuntos”.

Destacando a figura de Maria, a Igreja assume, até um certo grau, o que foi a obra de Maria. Isso vale também com relação à proteção de nossa Pátria, que não é algo mágico, mas algo que se realiza mediante as nossas mãos, nosso empenho por uma Pátria melhor, mais justa, mais conforme à vontade de Deus. Assim seja!

Pastoral da Esperança de Marília
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