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Homilia da missa do Jubileu de Ouro da Nossa Senhora de Fátima de Adamantina

Mensagens do Bispo

TEMA: MARIA, RAINHA DA PAZ – ADAMANTINA - 13/05/2016

Saúdo ao Reverendíssimo Pe. Marcelo Antonio dos Santos, pároco desta paróquia, aos demais padres, religiosos, religiosas, consagrados, seminaristas e vocacionados. Saúdo às autoridades aqui presentes.

Caros Irmãos e Irmãs. O título de Rainha foi atribuído a Maria pela tradição cristã, a partir do século IV, para evidenciar a sua preeminência e o seu poder. Entra progressivamente nos hábitos lingüísticos do povo, até se tornar expressão tanto na liturgia, como na piedade popular e na iconografia que representa, com freqüência, a coroação de Maria.

A atribuição do título de Rainha torna-se, assim, algo comum e posse pacífica dentro da Igreja, de modo que o papa Pio XII, em 1954, instituiu a festa litúrgica de Maria-Rainha e publicou nesta ocasião, o principal documento do magistério sobre a realeza de Maria, a encíclica “Ad coeli Reginam”.

A concepção da realeza de Maria deve inspirar-se mais profundamente no Evangelho, pois o reino de Deus tem uma lógica diferente da dos reinos deste mundo. Ele significa a soberania do Senhor na vida dos homens e mulheres (Mt 7,21), soberania que implica tanto a filiação divina, a fraternidade universal e os atos de “poder”, como as curas e os milagres. Este reino está reservado unicamente àquele que o acolhe com fé, com o coração aberto, na pobreza e no sofrimento (Mt 5,3-10; 18,3-4).

O senhorio divino é um senhorio do amor e do serviço: a glória de Deus manifesta-se na sua liberdade soberana de amar e perdoar. Em Jesus, isso se torna muito claro. Como rosto misericordioso do Pai, ele mostrou que não se pode viver indiferente à vida dos que sofrem, dos pobres e dos pequenos. Ele fez seu o sofrimento alheio, tomou sobre si as dores dos outros. Na parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37), ele ensinou como agir: ir ao encontro do outro, fazer-se próximo, curar as feridas. A partilha foi o caminho ensinado por ele (Mc 6,30-44) para que ninguém passasse fome, e as primeiras comunidades se esforçavam para que não houvesse necessitados em seu meio (At 2,42-47; 4,32-35).

A miséria, como pecado social está diante de nossos olhos. Pior cego é aquele que não quer ver e afirma que a fé não diz respeito a questões sociais. Quem age assim não chegou a encontrar-se com Cristo, verdadeiramente. Como Cristo, a Igreja é chamada a ser uma Igreja samaritana e, com ela, cada cristão. Para todos, em especial aos que insistem em fechar os olhos e o coração, continua válido o capítulo 25 de Mateus, que foi proclamado ainda a pouco: “Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora” (Mt 25, 13). A vigilância é a atitude de quem procura viver sob o olhar de Deus. Ele espera de nós uma participação ativa no seu reino de amor e de paz.

Se a miséria é construída pelas mãos humanas, as mesmas mãos podem acabar com ela. As mesmas mãos que oprimem podem libertar; as mãos que tiram podem oferecer; as mesmas mãos que acumulam podem repartir; as mesmas mãos que ferem podem cuidar. Neste sentido podemos nos questionar: Quais são as realidades de miséria presentes na vida de nossa paróquia? Que atitudes samaritanas são dirigidas a elas? Muitas pessoas na história da Igreja, do mundo e do Brasil, também da paróquia Nossa Senhora de Fátima, são exemplos de amor ao próximo no combate à miséria. Que nomes podem ser lembrados? Neste contexto, a realeza de Maria é o oposto da opressão e da escravidão, porque é a participação num projeto de esperança e expressão de um amor solidário e misericordioso.

A palavra misericórdia é formada pela junção de duas outras palavras, miserere (ter compaixão) e cordis (coração), significa coração voltado para a miséria. Atribuí-la a Deus é afirmar que o coração de Deus está voltado para a miséria em que vive o ser humano a fim de abraçá-lo, perdoá-lo e salvá-lo. Misericórdia, nos ensina o papa Francisco: “É o caminho que une Deus ao homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado” (MV n.2).

Ao proclamar Jesus “rei universal”, quer-se afirmar que todos os homens e mulheres encontram somente nele a verdadeira resposta ao problema da sua própria identidade. De igual modo, Maria é rainha porque exerce uma liderança relativamente ao povo de Deus. Graças a excelência da sua existência de primeira cristã e de modelo da Igreja, Maria representa um ponto de referência necessário para os fiéis que tentam encontrar a sua própria identidade real de filhos de Deus e dar ao Senhor um lugar cada vez mais importante na sua vida.

Que Deus abençoe a comunidade paroquial Nossa Senhora de Fátima a fim de que este ano jubilar seja rico em graças e bênçãos para todos: jovens, crianças, adolescentes e adultos. Que Maria interceda pelas famílias, pelos agentes das mais diversas pastorais e que o seu exemplo impulsione a todos para viver o Evangelho, nos próximos anos de caminhada. O Primeiro Plano Diocesano de Pastoral, colocado em prática, poderá inspirar, cada vez mais a Paróquia Nossa Senhora de Fátima a implantar no mundo o Reino de Deus, reino de amor, de justiça e de paz.

Parabéns Comunidade Paroquial Nossa Senhora de Fátima!

Pastoral da Esperança de Marília
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