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Sex, Dez

dom urbano allgayerDom Urbano Allgayer
Bispo emérito de Passo Fundo (RS)

Na liturgia, agosto é o mês vocacional. Convém abordar três vocações específicas da vida da Igreja, em que celebramos as festas do Santo Cura d'Ars, de Santa Ana e São Joaquim, pais da Santa Virgem Maria, da Transfiguração do Senhor, da Assunção de Nossa Senhora ao céu.

A vocação matrimonial é básica. O matrimônio santifica o casamento entre homem e mulher, co-criadores, com Deus, da espécie humana. É o sacramento constitutivo da família, célula-mãe da sociedade, igreja doméstica, centro de comunhão e participação entre o povo de Deus. Institui-se no Brasil a Semana da Família, celebrada entre o 2º e o 3º domingo de agosto. Vida, dignidade e esperança devem caracterizar esta Semana, na qual oramos para que, em todos os lares, pais, filhos, avós, se amem, se respeitem, crescendo na fé e na vida em comunidade.

A vocação religiosa constitui um estado de vida em que mulheres e homens se consagram a Deus e à Igreja pelos votos de pobreza, obediência e castidade. A vida religiosa manifesta na Igreja o maravilhoso matrimônio estabelecido por Deus, sinal do mundo vindouro (Cânon 607).

O testemunho público de Cristo e da Igreja, a ser dado pelos religiosos, implica em presença especial no mundo, que é próprio da índole e finalidade de cada instituto. Os Institutos Religiosos ou Seculares devem ser fortalecidos, como forças de vanguarda na evangelização da Igreja.

A vocação sacerdotal é vivida por diáconos, presbíteros e bispos, membros do clero da Igreja. É importante rezar e trabalhar pelas vocações sacerdotais. Sem o clero a Igreja não funcionaria, deixaria até de existir, o que é impensável, pois Cristo deu à Igreja a sua palavra, a garantia de perpetuidade. "A minha palavra jamais passará". A Igreja necessita de boas e numerosas vocações sacerdotais e religiosas, que têm sua origem em Deus e em vocações matrimoniais imbuídas de espírito profundamente cristão. Agosto é também o mês das vocações para os ministérios e serviços da comunidade, como catequistas e ministros (as) da comunhão eucarística, etc.

Passo Fundo, 25 de julho de 2014

dom walmor oliveira de azevedoDom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte

O sonho brasileiro de ser hexacampeão está adiado e isso "dói na pele", disse alguém. Não é desta vez que se apagará o pesadelo de 1950, a derrota amarga na final para o Uruguai, em pleno Maracanã, o mais simbólico "templo do futebol brasileiro". A seleção brasileira de futebol, neste terceiro milênio, provocou uma nova ferida. Mas é importante recompor-se para dar um tratamento adequado ao atual contexto do Brasil. Afinal, lutar pelos sonhos e, consequentemente, construir conquistas, não só esportivas, mas, sobretudo, culturais, sociais e políticas, exige efetiva atuação para transformar a realidade.

O sonho adiado não precisa mexer com os brios da cidadania brasileira. Não se pode satisfazer a autoestima apenas com a organização do megaevento e com as parciais conquistas na infraestrutura - reconhecendo que os sete anos de preparação não fizeram jus ao esperado e merecido pelo povo. Se, nas vésperas da Copa, a mídia exagerou ao anunciar um possível apagão aéreo, imobilidade no tráfego e outras coisas, não deixou de ter razão ao sublinhar que ainda existe uma dívida social. Esse débito não pode ser considerado pago pela bolsa família. Nem pela ascensão social de grande parte da população, quando se consideram os avanços necessários para se alcançar a condição social merecida pelos filhos deste solo que é a Mãe Pátria Amada Brasil. É hora de reagir.

O desencantamento pelo futebol da seleção brasileira não pode levar à desilusão. Até porque ainda falta um jogo que pode significar a conquista do terceiro lugar. Não tem valor grande, em um torneio esportivo dessa dimensão, estar entre os quatro melhores do mundo ou ser o terceiro? Que sintoma é esse de só contentar-se em ser o primeiro? Não será uma espécie de síndrome da glorificação? A única seleção que já participou de todas as Copas, a única pentacampeã. São exemplares os povos que receberam em festa suas seleções, mesmo desclassificadas, reconhecendo o esforço e o bom desempenho dos atletas.

Diante da impossibilidade da conquista do título "em casa", retoma-se a reflexão sobre as razões que levaram à realização da Copa do Mundo de futebol no Brasil. Agora não importa se houve vaidade ou interesse político eleitoreiro. Nem mesmo pode-se pensar que o torneio valeu para difundir uma imagem positiva do país. O fiasco da goleada na semifinal revela fragilidades partilhadas não só pelo grupo de jovens atletas que têm condições de ter mais êxito na arte do futebol, mas por todos os brasileiros. O "fiasco deles", portanto, não é só deles, mas de todos. Não apenas em razão do futebol, mas especialmente pelo que falta em educação, cultura, seriedade, investimento, política limpa, sentido de cidadania e tantas outras coisas que configuram o funcionamento de nossa sociedade.

A goleada mexeu com os brios da cidadania brasileira e não pode ser atribuída tão somente ao desempenho dos jogadores. Eles são iguais aos demais jovens, filhos de nossas famílias, amigos, conhecidos, estudantes, trabalhadores, sofredores. Embora sejam "estrelas" em seus times e ganhem dinheiro de forma exorbitante, são também cidadãos comuns, muitos nasceram em famílias pobres, foram alunos de sistemas educacionais comprometidos e fragilizados. Percebe-se que está diante de todos um enorme desafio, que já é bem enfrentado por outros países. Não basta gostar de jogar futebol e progredir aí profissionalmente. O equilíbrio, a garra e a competência para exercer os próprios dons e qualidades, no campo de futebol, na universidade, na ciência, na solidariedade e na simplicidade do cotidiano exigem mais investimentos, ajustes nas dinâmicas culturais que ambientam o dia a dia de um povo.

Agora, de modo especial, é hora de reagir, em diferentes frentes de ação, projetos e respostas. É o momento de abandonar a tendência de idolatrar figuras e combater as diferenças sociais gritantes, fazer política com outra ciência; investir para que a juventude possa brilhar na educação, no esporte, na arte e na cultura, gerando um tecido consistente indispensável para se chegar à condição de nação campeã. O sonho está adiado e para torná-lo realidade é preciso reagir, imediatamente. Apoiando os jovens jogadores para a conquista do terceiro lugar, com o sentido de reconhecimento, é preciso consolidar o que, politicamente, a Copa pode significar: uma etapa nova na história do Brasil.

O presidente da República e governadores dos Estados, políticos para o Poder Executivo, os deputados estaduais, federais e parte do Senado, políticos para o poder Legislativo, serão escolhidos, através do voto, em outubro deste ano. Será que os cristãos, eleitores e candidatos, devem envolver-se no exercício da cidadania ativa, para a definição dos rumos que o Brasil deverá trilhar?

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dom paulo mendes peixotoDom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

A história do cristianismo registra a presença destas duas figuras, que fizeram parte dos seguidores de Jesus Cristo e, curiosamente, apesar de origens distantes, foram martirizados na cidade de Roma, onde também sepultados. Suas sepulturas estão em duas basílicas diferentes: na de São Pedro e na de São Paulo fora dos muros, constituindo as colunas da Igreja.

Os bispos diocesanos são convocados, de cinco em cinco anos, para rezar uma missa diante da sepultura de cada um desses apóstolos na intenção do povo de suas dioceses. É uma forma de estar renovando sua missão. Pedro representando a instituição: "Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja" (Mt 16, 18). Paulo representando o papel missionário da Igreja no mundo.

No livro dos Atos dos Apóstolos encontramos as viagens missionárias de Paulo. Ele revela sua preocupação missionária quando, num brado, manifesta: "Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé" (II Tm 4, 7). Na defesa da fé em Deus, Pedro é pregado na cruz, de cabeça para baixo, e Paulo degolado, ambos derramando o sangue por acreditar na realização do projeto de vida.

Sucedendo Pedro e investindo o espírito de Paulo, o papa Francisco tem convocado a Igreja para renovar seu espírito missionário. Precisa tornar-se uma Igreja "em saída", superando o comodismo e a burocracia, acolhendo melhor as pessoas. Além das palavras, seu testemunho de simplicidade e coerência tem sido uma total provocação para todo o mundo cristão.

Francisco tem insistido numa Igreja que tenha as marcas "da verdade, da bondade, da beleza, da ternura e da misericórdia". A missão encontra motivação nestas palavras, criando alegria no anúncio do Evangelho. Ele diz não querer "cristão com cara de funeral", ou "cara de Quaresma sem Páscoa".

Estamos aí diante dos desafios da missão, motivados também pelo enunciado da "comunidade de comunidades, a nova paróquia". Os cristãos de hoje, no seguimento de Pedro e Paulo, enfrentam as maldades da nova cultura e devem agir para cultivar um mundo mais humano e de paz.

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Celebramos hoje a festa do amado e venerado Santo Antônio, que sempre nos atrai inclusive pela sua apresentação iconográfica portando o Menino Jesus sobre a Bíblia, cheio de ternura e de atenção amorosa. Este santo é muito atual, pois nos lembra que no nosso cotidiano perpassado não raro de necessidades, aflições e angústias temos um amigo que sempre nos atende, que nos escuta, que tem um olhar bondoso para a nossa frágil situação, lembrando a compaixão e a misericórdia divina.

Seus sinais de resposta, os anunciados milagres são explicitação de quem apóia, consola, e sempre nos ajuda no nosso caminhar especialmente reforçando nosso trabalho, família e saúde, as demandas essenciais do nosso viver e conviver. Diante de uma mentalidade hedonista que proclama a tirania do prazer e a desconstrução da família, ele com seus ensinamentos a escora no amor cristão, indicando o caminho da felicidade conjugal, tornando a cada lar um remanso de alegria e de paz.

Diante de um crescente descaso e esquecimento da nossa comunhão com a mãe terra e suas criaturas, ele nos motiva a comunicarmo-nos com todos os seres vivos, com amor e mansidão, como falou aos peixinhos. E face ainda a uma globalização perversa que fez retornar o capitalismo selvagem e a escravidão, recordamos duas grandes batalhas em prol dos pequenos e dos pobres que Santo Antônio livrou. A primeira foi a emancipação da escravidão por dívidas, fazendo aprovar uma lei que se encontra na Municipalidade de Pádua.

A outra foi a denúncia incessante contra os juros escorchantes que exploravam os pobres: camponeses e trabalhadores. Fustigou seriamente a avareza e a luxúria que levavam ao indiferentismo e a opressão dos pequenos, precipitando-os na sarjeta do crime e da prostituição.

Foi um incansável pregador e profeta da Palavra de Deus da qual se tornou, guardião, interprete e sábio educador. A humanidade inteira cresceu em fraternidade, bondade, e a paz como dom divino, ouvindo e acolhendo nos seus corações o testemunho cordial e amoroso deste incomparável filho de São Francisco.

Deus seja louvado!

A palavra Eucaristia é de origem grega e significa "Ação de Graças". Designa-se assim o conjunto da celebração. Mas chama-se também Eucaristia a liturgia eucarística que constitui a terceira parte da missa, com a oração eucarística, depois da liturgia da Palavra. Chama-se igualmente Eucaristia a hóstia, o pão consagrado que recebemos pela comunhão e que adoramos em todo o tempo no sacrário.

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