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Sex, Dez

independencia-brasil-semana-patriaO fato histórico da independência do Brasil (7 de setembro de 1822) é conhecido pelos estudantes brasileiros. Dom Pedro I, às margens do Riacho Ipiranga (São Paulo), proclama a separação do Brasil em relação ao país colonizador: Portugal. Que lições podemos tirar dessa separação?

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Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

Jesus pergunta aos discípulos sobre o que pensam a respeito de sua identidade. Pedro manifesta sua profissão de fé no Mestre como sendo o Messias (Cf. Mateus 16, 13-17). Em contrapartida Jesus coloca a identidade de Simão como pedra de sua Igreja: "Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e o poder do inferno nunca poderá vencê-la" (Mateus 16,18).

O ser humano só encontra razão de ser na vida quando conhece a identidade de Deus, numa relação de confiança nele, a ponto de realizar a missão por Ele recebida. Usa, então, a vida para cuidar do convívio com o semelhante e com a natureza de modo amoroso e construtivo. De fato, Deus nos criou à sua imagem e semelhança. Como Ele mostra sua identidade no ato de amar as criaturas, cuidando de tudo para o bem de cada ser, também nos dá a incumbência de cuidar de tudo o que está sob nossa responsabilidade da melhor maneira, afinada com os critérios dele.

Jesus veio nos indicar a maneira de realizar o projeto do Pai. Uma nova ordem pessoal e social deve acontecer. Somente o ser humano é feliz quando dá de si pelo bem do semelhante, mesmo tendo que se sacrificar pela promoção da justiça e do bem comum. Até o uso dos bens materiais, da cultura, do desenvolvimento da ciência, da técnica e da economia devem ser colocados a serviço da dignidade humana. Tudo é de Deus. O ser humano é apenas administrador provisório. Paulo lembra que o proprietário é Deus: "Tudo é dele, por ele e para ele. A ele é a glória para sempre" (Romanos 11,36).

Deus quer o bem de toda criatura. Colocou-nos na terra porque nos ama e quer nosso bem. Mas nos dá a alegria de termos a honra e a felicidade de colocar nossa parte de esforço e boa vontade para nos recompensar de toda a responsabilidade em administrar bem as possibilidades da vida presente. Esta é boa quando a fazemos beneficiadora a todos. Nosso empenho para isso depende de colocarmos nossos talentos e oportunidades para construirmos uma sociedade fraterna e promotora da vida digna para todos. Nessa direção somos responsáveis por construirmos famílias dóceis ao projeto do Criador, bem como política de real serviço à causa comum. Nossa inteligência usada bem nos facilita escolhermos pessoas de bem para o exercício das diversas lideranças na sociedade, seja na política, seja na religião e em todo tipo de organização humana. Quando se tratam de eleições a cargos de serviço à coletividade, a consciência bem formada nos deve levar a superar interesses mesquinhos de grupos e corporações. Assim escolhemos pessoas de bom caráter e com capacidade para o bom exercício dos cargos eletivos.

Quando identificamos bem as pessoas aptas para os serviços à comunidade, damos todo nosso apoio e acompanhamos suas ações para que realmente sejam identificadas com o bem da coletividade. Com a força da profissão de nossa fé, como fez Pedro, somos capazes de assumir nossa missão, conhecida e acionada por Deus, para realizarmos seu projeto de benefício a nós e a todos de nosso convívio. Nossa vocação de resposta a Deus tem a ver diretamente com a identidade da tarefa que Ele nos dá na vida.

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

A solenidade da Assunção apresenta, na leitura de Evangelho, com o texto do MAGNIFICAT. É o canto de Maria, ainda grávida de Jesus, que agradece a Deus pela graça recebida. É curioso e convém que prestemos atenção ao fato de a Igreja nos oferecer um texto evangélico de uma Maria jovem para nos explicar o que vai acontecer depois de sua morte. Diz o dogma que Maria subiu ao céu de corpo e alma. Que foi a primeira dentre todos nós. Sua assunção é sinal e promessa da nossa. Mas a assunção não foi apenas um fato que aconteceu apenas em um momento determinado. Maria subiu ao céu porque viveu com o olhar posto em Deus. O Magnificat – o canto de Maria, jovem ainda, grávida, que se encontra com a sua prima Isabel, igualmente grávida – não é apenas uma bela poesia. É um claro testemunho do estilo de vida de Maria.

Aquela jovenzinha de uma aldeia da Galileia tinha a alegria impregnada no corpo. Era uma alegria fruto da fé e confiança no Deus de seu povo. Para além das aparências, ela sabia ficar acima do cotidiano e olhar para a história com perspectiva. Por isso, Maria sabe que "sua misericórdia (a de Deus) chega a seus fieis de geração em geração" e que "auxilia a Israel, seu servo, lembrando-se da misericórdia".

Isso não significa dizer que Maria não tenha passado por momentos cinzentos em sua vida cotidiana. Não deveria ter muitas alegrias a vida naquelas aldeias das montanhas da Galileia. Lavar, cozinhar, limpar, ajudar nas tarefas do campo, todos os trabalhos de uma mulher, agravados pela pobreza em que vivia aquela gente, Naquela situação, a maioria das pessoas permanecia ao rés do chão. Não eram capazes de ver nada além do imediato, do que a vida tem de cinzento, dor, negatividade e morte.

Maria – e isto é importante – passou exatamente pelo mesmo, mas olhava para outros horizontes. Olhava para o céu e enxergava o rosto bondoso do Deus que havia sido sempre misericordioso com seu povo que lhe havia prometido a salvação. Por sua fé, Maria transformou sua vida de cinzenta em algo luminosa.

Sua luz continua iluminando a todos nesta festa. Nossa vida também costuma ficar cinza quando permitimos que nosso olhar fique no rés do chão. A festa da assunção nos recorda que precisamos levantar nosso olhar e colocar nossos horizontes um pouco mais adiante. Devemos olhar nossa vida e a de nossos irmãos com os olhos de Deus, com a perspectiva de Deus. Nós nos surpreenderemos ao descobrir a cor diferente que terá a vida. E aprenderemos a rezar o Magnificat com o prazer e a fé de Maria.

Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Amparo (SP)

Neste mês dedicado às vocações, em especial à sacerdotal, é bom relembrarmos alguns expoentes que ilustraram este ministério ao longo de nossa história. Trata-se do Padre Antonio Vieira, chamado pelo poeta português Fernando Pessoa de "imperador da língua portuguesa". Nascido em Lisboa, com seis anos de idade, veio com a família para o Brasil. Radicado na Bahia, ingressa no colégio jesuíta de Salvador. Em 1634 é ordenado padre. Torna-se missionário e orador, seus sermões o fizeram famoso em todo o reino. Sua obra escrita, de modo especial seus 200 sermões, está impregnada de sabedoria, nela ele aborda temas históricos e políticos de forma magistral. Fascina o estilo, o domínio da língua, mas, sobretudo a exposição da fé que impele á prática da caridade.

Foi homem de estudo e erudição e de ação, que enfrentou com muita coragem as vicissitudes da vida, inclusive processos ante a Inquisição, dos quais acabou anistiado. Morreu em Salvador da Bahia em 1697. Suas atividades no Brasil dizem respeito à defesa da liberdade dos indígenas, invasão holandês, empenho pelo desenvolvimento econômico.

São inúmeros os temas abordados em seus sermões, entre os quais o mais famoso talvez, seja o Sermão da Sexagésima de 1655. Porém, num deles, há um tema utilíssimo, um tanto fora de moda, que me chamou a atenção. Trata-se do pecado da omissão, que ele aborda no sermão do primeiro domingo do advento no ano de 1650. Neste tempo pré-eleitoral que vivemos hoje, é muito útil revisitar este sermão. O sermão tem como eixo o juízo final, cito a seguir um parágrafo, referente à omissão dos governantes.

"Sabei cristãos, sabei príncipes, sabei ministros, que se vos há de pedir estreita conta do que fizestes; mas muito mais estreita do que deixastes de fazer. Pelo que fizestes se hão de condenar muitos, pelo que não fizeram todos. As culpas porque se condenam os Reis são as que se contêm nos relatórios das sentenças: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno. E por que? Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, porque não recolhestes, não visitastes, porque não vestistes (Mt 25, 42-42). Em suma, que os pecados que ultimamente hão de levar os condenados ao inferno, são os pecados de omissão. Não se espantem os doutos de uma proposição tão universal como esta; porque assim é verdadeira em todo o rigor da Teologia... A omissão é o pecado que com mais facilidade se comete, e com mais dificuldade se conhece; e o que facilmente se comete e dificultosamente se conhece, raramente se emenda. A omissão é um pecado que se faz não fazendo: e pecado que nunca é má obra, e algumas vezes pode ser obra boa."

Assim sendo, a corrupção, segundo Padre Vieira, tão alastrada em nosso meio, ampliada pelo famoso "jeitinho brasileiro", se torna mais grave do que fazer o mal. Ela faz o mal no lugar do bem que devia fazer e não faz, e ainda, sendo um mal, muitas vezes aparece como um bem: perversidade! E assim é, a corrupção e sua irmã gêmea, a incompetência, solapam a ordem e o progresso que desejamos para nossa pátria.

Fica aqui a homenagem a nosso papa Francisco, jesuíta, "profeta suave e firme" que recorda à Igreja o dever de remar contra a corrente por amor ao Evangelho (cf. Angelus junho 2013).

Dom Murilo S.R. Krieger
Arcebispo de Salvador (BA)

Poucos dias antes de embarcar para a visita pastoral à Coreia, onde ainda se encontra, o papa Francisco, diante dos trágicos acontecimentos que ocorrem no norte de Iraque, proclamou: "Não se faz guerra em nome de Deus". Ele tinha diante de si números e situações dramáticas: ataques violentos contra cristãos, pelo fato de serem cristãos, por milicianos jihadistas (= lutam para conquistar a "fé perfeita"). Para a cidade de Erbil, que tem vinte e cinco mil cristãos, fugindo das perseguições acorreram setenta mil cristãos que, naturalmente, estão desalojados. Como escreveu Dom Louis Raphael, Presidente dos Bispos Católicos no Iraque: "As famílias que encontraram abrigo dentro das igrejas ou escolas estão em condições relativamente boas, ao passo que aqueles que ainda estão dormindo nas ruas e parques públicos encontram-se em situação deplorável". Em Dohuk, o número de refugiados cristãos chega a mais de sessenta mil, e a situação deles é pior do que a dos refugiados em Erbil.

Nas aldeias cristãs em torno de Mosul, até as fronteiras do Curdistão,"as igrejas encontram-se desertas e profanadas; cinco bispos estão fora de suas diocese, os sacerdotes e freiras saíram de suas missões e instituições, deixando tudo para trás, as família fugiram com seus filhos, abandonando tudo. O nível de desastre é extremo".

Por que, de repente, está acontecendo tudo isso? Por que essa perseguição sistemática e o desejo de eliminar os cristãos daquela região? Afinal, é chocante ver que estão sendo expulsas famílias cujos antepassados viveram ali pacificamente há vários séculos. Por trás dessa tragédia humanitária está o desejo, por parte de alguns grupos minoritários, de "restaurar o califado", que tinha sido abolido em 29 de outubro de 1923, por Kamal Ataturk, fundador da Turquia moderna.

Diante dessa situação, no dia 12 de agosto p.p. o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso da Santa Sé fez um apelo para que todos – inclusive a maioria muçulmana que não aceita esse projeto de "restauração", nem os métodos utilizados – se unam para denunciar as práticas vergonhosas que vêm sendo cometidas. Eis algumas dessas práticas: "a matança de pessoas apenas por causa das suas crenças religiosas; a abominável prática da decapitação, crucificação e exposição de cadáveres pendurados em locais públicos; a imposição, aos cristãos, do dilema entre a conversão forçada ao islã, o pagamento de imposto por não serem muçulmanos ou o êxodo; a expulsão forçada de dezenas de milhares de pessoas, incluindo crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes; o rapto de meninas e mulheres pertencentes a comunidades cristãs; a imposição da prática bárbara da mutilação genital; a destruição de locais de culto e mausoléus cristãos e muçulmanos; a ocupação forçada ou a profanação de igrejas e mosteiros; a remoção de crucifixos e outros símbolos religiosos cristãos; a destruição do inestimável patrimônio religioso e cultural cristão".

O Pontifício Conselho acentua: "Nenhuma causa pode justificar tal barbárie; certamente não uma religião. Trata-se de um crime extremamente grave contra a humanidade e contra Deus, que é o Criador, como frequentes vezes disse o papa Francisco."

Não podemos nos esquecer que cristãos e muçulmanos têm vivido juntos ao longo dos séculos, mesmo que com muitos altos e baixos, construindo uma cultura de cordialidade e uma civilização da qual estão orgulhosos. Além disso, é com essa base que, nos últimos anos, o diálogo entre cristãos e muçulmanos tem se aprofundado.

A situação dos cristãos exige uma posição clara e corajosa por parte dos líderes religiosos. Todos devem ser unânimes em condenar com clareza esses crimes e denunciar a invocação da religião, para justificá-los. Do contrário, que credibilidade terão as religiões, seus seguidores e seus líderes?

Unamos nossa voz à do papa Francisco: "Que o Deus da paz reforce todo desejo autêntico de diálogo e de reconciliação. Nunca se derrota a violência com a violência. A violência é vencida com a paz".

Queridos jovens amigos!

«É bom para nós estarmos aqui!» (Mt 17, 4). Estas palavras foram pronunciadas por São Pedro, no Monte Tabor, quando se viu na presença de Jesus transfigurado em glória. É verdadeiramente bom para nós estarmos aqui, juntos, neste Santuário dos Mártires Coreanos, nos quais se revelou a glória do Senhor na aurora da vida da Igreja neste país. Nesta grande assembleia, que reúne jovens cristãos da Ásia inteira, de certo modo podemos pressentir a glória de Jesus presente no meio de nós, presente na sua Igreja que abraça toda a nação, língua e povo, presente com a força do seu Santo Espírito que faz novas, jovens e vivas todas as coisas.

Agradeço a vossa calorosa recepção. Muito calorosa, muito calorosa! E agradeço o dom do vosso entusiasmo, os cânticos cheios de alegria, os testemunhos de fé e as lindas expressões da variedade e riqueza das vossas diferentes culturas. De modo particular, agradeço a Mai, Giovanni e Marina, os três jovens que partilharam comigo as vossas esperanças, inquietações e preocupações. Escutei-as atentamente e guardo-as no meu íntimo. Agradeço a Dom Lazzaro You Heung-sik as suas palavras de boas-vindas e vos saúdo a todos do fundo do coração.

Nesta tarde, quero deter-me a reflectir convosco sobre uma parte do tema desta VI Jornada Asiática da Juventude: «A glória dos Mártires resplandece sobre vós». Tal como o Senhor fez resplandecer a sua glória no testemunho heróico dos mártires, do mesmo modo deseja que a sua glória resplandeça na vossa vida e, por vosso intermédio, deseja iluminar a vida deste grande Continente. Hoje Cristo bate à porta do vosso coração, do meu coração; convida a vós e a mim a levantar-nos, a permanecer bem despertos e atentos, a ver as coisas que verdadeiramente contam na vida. Mais ainda! Pede a vós e a mim para ir pelas estradas e caminhos deste mundo e baterdes à porta do coração dos outros, convidando-os a recebê-Lo na sua vida.

Este grande encontro dos jovens da Ásia permite-nos vislumbrar algo daquilo que a própria Igreja é chamada a ser no projecto eterno de Deus. Juntamente com os jovens de toda a parte, quereis empenhar-vos na construção de um mundo onde todos vivam juntos em paz e amizade, superando as barreiras, recompondo as divisões, rejeitando a violência e os preconceitos. Isto é justamente o que Deus quer de nós. A Igreja é germe de unidade para a família humana inteira. Em Cristo, todas as nações e povos são chamados a uma unidade que não destrói a diversidade, mas a reconhece, harmoniza e enriquece.

Como está longe desta magnífica visão e deste projecto o espírito do mundo! Quantas vezes nos parece que as sementes de bem e de esperança que procuramos semear acabam sufocadas pelos cardos do egoísmo, da inimizade e da injustiça; e não só ao redor de nós, mas também nos nossos corações. Preocupa-nos o desnível crescente entre ricos e pobres nas nossas sociedades. Vemos sinais de idolatria da riqueza, do poder e do prazer, que se obtêm com custos altíssimos para a vida humana. Ao nosso lado, muitos dos nossos amigos e coetâneos, embora rodeados de grande prosperidade material, sofrem de pobreza espiritual, solidão e silencioso desespero. Parece quase que Deus fora removido deste horizonte; é como se um deserto espiritual se estivesse propagando em todo o mundo. Este deserto atinge também os jovens, roubando-lhes a esperança e, em demasiados casos, até a própria vida.

E, no entanto, este é o mundo aonde estais chamados a ir testemunhar o Evangelho da esperança, o Evangelho de Jesus Cristo e a promessa do seu Reino – este é o teu tema, Marina. Falarei ainda dele... Nas suas parábolas, Jesus ensina-nos que o Reino entra no mundo de forma humilde, e desenvolve-se silenciosa e constantemente onde é acolhido por corações abertos à sua mensagem de esperança e salvação. O Evangelho ensina-nos que o Espírito de Jesus pode trazer nova vida ao coração de todo o homem e transformar qualquer situação, mesmo aquela aparentemente sem esperança. Jesus pode transformar, pode transformar todas as situações! Esta é a mensagem que sois chamados a partilhar com os vossos coetâneos: na escola, no mundo do trabalho, nas vossas famílias, nas universidades e nas vossas comunidades. Em virtude de Jesus ter ressuscitado dos mortos, sabemos que Ele tem «palavras da vida eterna» (Jo 6, 68) e que a sua palavra tem o poder de tocar todo o coração, vencer o mal com o bem, mudar e redimir o mundo.

Queridos jovens amigos, neste nosso tempo, o Senhor conta convosco! Ele está a contar convosco! Ele entrou nos vossos corações no dia do vosso Baptismo; deu-vos o seu Espírito no dia da vossa Crisma; fortalece-vos constantemente através da sua presença na Eucaristia, para poderdes ser suas testemunhas diante do mundo. Estais prontos a dizer «sim» a Ele? Estais prontos?

Obrigado! Estais cansados? [Não!] Tendes a certeza? [Sim] Meus amados amigos, como disse ontem: «Vós não podeis falar a um jovem com papéis; deveis falar, dirigir-vos aos jovens espontaneamente a partir do coração». Mas eu tenho uma grande dificuldade: tenho um inglês pobre. [Não!] Sim, sim! Mas, se quiserdes, posso dizer outras coisas espontaneamente... [Sim!] Estais cansado? [Não!] Posso continuar? [Sim!] Mas vou fazê-lo em italiano. [voltando-se para o intérprete] Tu vais traduzir? Obrigado! Continuamos!

Eu senti de forma muito intensa aquilo que disse Marina: o conflito que sente na sua vida. Como fazer? Seguir o caminho da vida consagrada, a vida religiosa, ou estudar a fim de estar melhor preparada para ajudar os outros. Trata-se de um conflito aparente, porque, quando o Senhor chama, chama sempre para fazer o bem aos outros, quer na vida religiosa, na vida consagrada, quer na vida laical, como pai e mãe de família. Mas o objectivo é o mesmo: adorar a Deus e fazer o bem aos outros. Então que deve fazer Marina e muitos de vós que vos pondes a mesma pergunta? Eu também a fiz no meu tempo: Que caminho devo escolher? Mas, tu não deves escolher caminho algum: é o Senhor que o deve escolher! Jesus escolheu-o, tu deves ouvi-Lo e perguntar: «Senhor, que devo fazer?» Esta é a súplica que um jovem deve fazer: «Senhor, que quereis Vós de mim?». E, com a oração e o conselho de alguns amigos verdadeiros – leigos, padres, freiras, bispos, papas... (o Papa também pode dar um bom conselho) – com o conselho deles, encontrar o caminho que o Senhor quer para mim.

Vamos rezar juntos!

[Volta-se para o sacerdote tradutor] Tu faz repetir em coreano: «Senhor, que quereis Vós da minha vida?» Fá-lo três vezes.

Oremos! Vamos orar!

Tenho a certeza que o Senhor vos escutará. Mesmo a ti, Marina, com certeza. Obrigado pelo teu testemunho. Desculpa! Enganei-me no nome: a pergunta foi feita por Mai; não pela Marina.

E Mai falou ainda de outra coisa: dos mártires, dos santos, das testemunhas. E disse-nos, com um pouco de tristeza, um pouco de nostalgia, que na sua terra natal, no Camboja, ainda não existem Santos. Bem, nós esperamos... que haja Santos e muitos! Mas a Igreja ainda não reconheceu, não beatificou, não canonizou nenhum. E eu agradeço-te imenso, Mai, por teres lembrado isto. Prometo-te que terei o cuidado, quando tornar a casa, de falar ao encarregado destas coisas – que é um bom homem, chama-se Ângelo –, pedindo-lhe para fazer uma pesquisa sobre isso e ajudar a avançar. Obrigado, muito obrigado!

É hora de terminar. Estais cansados? [Não!] Continuamos mais um pouco? [Sim!]

Ocupemo-nos agora de Marina. Marina fez duas perguntas... Não duas perguntas! Fez duas reflexões e uma pergunta sobre a felicidade. Tu disseste-nos uma coisa verdadeira: a felicidade não se compra. E, quando tu compras uma felicidade, depois dás-te conta que aquela felicidade desapareceu... Não dura a felicidade que se compra. Apenas a felicidade do amor, apenas esta dura!

E o caminho do amor é simples: ama a Deus e ama o próximo, teu irmão; aquele que está perto de ti, aquele que necessita de amor e precisa de muitas coisas. «Mas, Padre, como é que eu sei se amo a Deus?» É muito simples! Se amas o próximo, se não odeias, se não tens ódio no teu coração, tu amas a Deus. Esta é a prova segura!

E, depois, Marina fez uma pergunta – eu compreendo – uma pergunta dolorosa, e agradeço-lhe por a ter feito: a divisão entre os irmãos das Coreias. Mas, há duas Coreias? Não! Existe uma só, mas está dividida; a família está dividida. Isso é uma tristeza... Como podemos ajudar para que esta família se una? Eu digo duas coisas: primeiro, um conselho e, depois, uma esperança.

Antes de mais nada, o conselho: rezar; rezar pelos nossos irmãos do Norte: «Senhor, nós somos uma família; ajudai-nos, ajudai-nos para chegar à unidade. Vós podeis fazê-lo! Que não haja vencedores nem vencidos, apenas uma família; que hajam apenas os irmãos». Agora convido-vos a rezar juntos – depois da tradução –, em silêncio, pela unidade das duas Coreias.

Façamos a oração em silêncio. Em silêncio, rezemos [silêncio].

Agora, a esperança. Qual esperança? Há tantas esperanças, mas boa há uma. A Coreia é uma só, é uma família: vós falais a mesma língua, a língua da família; vós sois irmãos que falam a mesma língua. Quando [na Bíblia] os irmãos de José foram ao Egipto comprar comida – porque tinham fome; tinham dinheiro, mas não tinham que comer – foram lá comprar comida e encontraram um irmão! Porquê? Porque José notou que falavam a mesma língua. Pois bem! Pensai nos vossos irmãos do Norte: eles falam a mesma língua e quando em família se fala a mesma língua, há também uma esperança humana.

Há pouco vimos uma coisa bonita, a representação do filho pródigo, o filho que saíra de casa, malbaratara o dinheiro, tudo, traíra o pai, a família, traíra tudo. A dado momento, pela necessidade que passava, mas com muita vergonha, decidiu voltar. E pensara como pedir perdão ao seu pai. Pensou dizer: «Pai, pequei, fiz isto errado; quero ser, não teu filho, mas um simples empregado», e muitas outras coisas bonitas. Mas, o Evangelho diz-nos que o pai o viu ao longe. E porque é que o viu? Porque diariamente subia ao terraço, para ver se o filho voltava. E abraçou-o! Não o deixou falar; não o deixou dizer aquele discurso que preparara, nem sequer pedir perdão... só depois. Fez festa. Fez festa! E esta é a festa que Deus mais gosta: quando retornamos a casa, quando voltamos para Ele. «Mas, Padre, eu sou um pecador, eu sou uma pecadora...» Melhor ainda! Ele está à tua espera! Fará ainda mais festa! Porque o próprio Jesus diz-nos que no céu faz-se mais festa por um pecador que volta do que por cem justos que permanecem em casa.

Nenhum de nós sabe o que nos espera na vida. E vós, jovens, perguntais: «Que me espera?» Podemos fazer coisas ruins, muito ruins, mas, por favor, não desesperemos! Temos sempre o Pai, que nos espera! Retornar, retornar... Como nos diz a palavra back! Retornar a casa, porque o Pai me espera. E, se eu sou muito pecador, ele fará uma grande festa. E vós, sacerdotes, por favor abraçai os pecadores e sede misericordiosos. É bom ouvir isto! A mim, isto deixa-me feliz, porque Deus nunca se cansa de perdoar; nunca se cansa de esperar por nós.

Eu tinha escrito três sugestões, mas já falei sobre elas: oração, Eucaristia e trabalhar pelos outros, pelos pobres.

Mas agora tenho de vos deixar. [Não!] Ficarei feliz em vos rever nestes dias e de vos falar de novo no domingo, quando nos reunirmos para a Santa Missa. Entretanto agradeçamos ao Senhor pelos dons que nos concedeu neste tempo que passamos juntos e peçamos-Lhe a força para sermos fiéis e jubilosas testemunhas do seu amor por toda a parte da Ásia e do mundo inteiro.

Maria, nossa Mãe, vos proteja e nos mantenha sempre perto de Jesus, seu Filho. E, do Céu, vos acompanhe também São João Paulo II, o iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude. Com grande afecto, concedo a todos vós a minha bênção.

E, por favor, rezem por mim! Não vos esqueçais disto: de rezar por mim! Muito obrigado!

Dom Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP)

Este domingo é o Dia dos Pais. A próxima semana é a Semana da Família. Para o mês de outubro o Papa Francisco convocou um Sínodo Extraordinário sobre a Família.

Não há nenhuma dúvida: está soando o alerta geral sobre a Família. Tida tradicionalmente como reduto inesgotável de reservas morais, que podiam ser invocadas nos momentos de maior crise da sociedade, agora ao contrário, é a família que está fazendo água, e necessita de socorro urgente.

Basta conferir o ambiente tenso que se encontra, por exemplo, na maioria das salas de aula. Tal a soma de problemas trazidos da família pelos alunos, que os professores se vêem doidos. A situação já ultrapassou os limites da normalidade. É imperioso convocar a sociedade, para socorrer a família. E fazer com que ela se torne, de novo, um espaço providencial, seguro e tranquilo, como reduto em que as pessoas aprendem a se relacionar com equilíbrio, assimilando valores indispensáveis, como o respeito mútuo, a solidariedade e a confiança para a partilha de compromissos e para a garantia de segurança e de convívio salutar.

Assim a família voltaria a ser um ambiente favorável ao crescimento das pessoas, levando-as a assumir a própria identidade, sem equívocos e sem receios de enfrentar a realidade.

Se nos perguntamos pela origem desta crise profunda por que passa hoje a família, não há dúvida que boa parte da responsabilidade deve ser colocada na conta de quem se diverte em solapar valores tradicionais, fazendo da família uma caixa de ressonância das suas irreverências, para divertimento dos que carecem de discernimento, e para delírio dos que garantem audiência fácil aos programas de televisão.

Buscando uma explicação sociológica da crise por que passa a família, o Papa Francisco foi encontrar no documento de Aparecida um aspecto que merece nossa atenção.

Descrevendo a situação em que vivemos, Aparecida afirma que estamos, não só numa época de muitas mudanças, mas numa "mudança de época". Portanto, uma crise mais profunda, não episódica.

Constata ele que em momentos assim é mais viável o abandono de valores tradicionais, na ingênua esperança que a nova situação se encarregará de trazer as soluções, como foi capaz de generalizar a crise.

Em todo o caso, mesmo sem levar em conta todos os motivos, o fato é que hoje a família passa por um momento de profunda crise, que tende a se generalizar.

Está na hora de dar-nos conta que estão em jogo os fundamentos éticos de nossa sociedade. E que não dá mais para fazer dos problemas das famílias roteiros fáceis de novelas descomprometidas com a ética e com a moralidade.

Chega de fazer da família um joguete de divertimentos pitorescos e irresponsáveis. Está na hora de assumirmos a defesa da família, assegurando-lhe todo o apoio de que ela necessita para retomar sua nobre vocação de geradora da vida e de educadora das pessoas.

DIA 01 DE AGOSTO DE 2014 – PARÓQUIA SÃO PEDRO DE TUPÃ

Saúdo ao querido Bispo Dom Osvaldo Giuntini, ao Chanceler Pe. Maurício Pereira Sevilha, ao Vigário Episcopal da Região Pastoral 2, Pe. José Orandi da Silva e, na pessoa dele, saúdo a todos os presbíteros aqui presentes. Saúdo também aos Diáconos, Religiosos e Religiosas, aos Formadores, Seminaristas e a todas as Autoridades civis e militares que se fazem presentes. Uma saudação especial aos familiares do seminarista Ivã, especialmente aos seus pais Odair Baisso e Gessilda Maria Oliveira Baisso.

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