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Qui, Dez

Homilia da Ordenação Presbiteral do Diácono Marcelo Feltri Ribeiro

Mensagens do Bispo

Saúdo a Dom Osvaldo Giuntini, nosso querido bispo emérito, que acolheu o seminarista Marcelo no seminário. Saúdo a todos os padres, religiosos, religiosas e seminaristas aqui presentes. Saudação particular aos pais do Diácono Marcelo Sr. João Francisco Ribeiro e Olinda Maria Feltri Ribeiro e familiares. Saúdo a todos que vieram de outras paróquias, especialmente a quem veio de Piratininga, terra natal do Diácono Marcelo.

Queridos Irmãos e Irmãs hoje é festa na nossa Igreja Particular de Marília! Estamos acolhendo um novo sacerdote no nosso presbitério! O Diácono Marcelo preparou-se para este dia durante vários anos de estudo, de convivência fraterna no seminário, de reflexão e sobretudo de oração. Foram longos anos de discernimento que devem culminar hoje, com o seu “sim”, a sua entrega ao Senhor, através do ministério ordenado.

E a Palavra de Deus que ouvimos nos ilumina! A primeira leitura relata a vocação de Jeremias. A vocação inclui escolha, consagração e nomeação: “Antes de te formar no ventre eu te escolhi, antes de saíres do seio materno eu te consagrei” (Jr 1,5). Jeremias pertence ao Senhor. Deus tem toda a iniciativa: ele domina a pessoa do profeta. Jeremias consagrado desde o seio da mãe, fala de sedução. O chamado leva sempre uma missão, cujo instrumento é a boca do profeta que dirá a Palavra de Deus.

O evangelho nos fala do servo: “Quem me serve que me siga, e onde eu estou estará também meu servo. Se alguém me servir, o Pai o honrará” (Jo 12,26). O servo pertence a Jesus e há de acompanha-Lo aonde quer que ele vá: à cruz e à glória. Tal é a honra que o Pai lhe concederá, honra autêntica e suprema. Acompanhar Jesus até a cruz é doação completa de si, é aniquilamento, é colocar a própria vida nas mãos de Deus, nos momentos difíceis, nos momentos de prova. Para saber se estamos em comunhão com Cristo, então, devemos nos perguntar: Sinto pertencer ao Senhor? Quanto pertenço realmente a ele?

A comunhão com Cristo é sempre e ao mesmo tempo, pessoal e eclesial. Ninguém é cristão sozinho, nem a Igreja subsiste prescindindo da liberdade dos indivíduos, que disseram “sim” ao chamado do Senhor. É por isso que diz o apóstolo Paulo: “Esforçai-vos por manter a unidade do espírito com o vínculo da paz” (Ef 4, 3). Exatamente neste sentido é possível falar de comunhão pessoalmente recebida, como indivíduos e como sacerdotes. A nós, misteriosamente, mas realmente, não foi feito somente o dom da comunhão batismal com Jesus, mas, sem mérito algum, fomos chamados a nos tornarmos os seus íntimos, aqueles que pertencem ao Senhor sem reservas.

Não é por acaso que o povo santo de Deus, na simplicidade das suas expressões, confie-se a nós, à nossa oração, a nossa mediação orante, para obter aquelas graças que, sozinho, percebe que não poderá obter. O senso dos fiéis leva em si o reconhecimento de uma especial comunhão do sacerdote com o Mestre, uma comunhão que não separa o sacerdote do povo, mas o coloca a serviço deles. Uma comunhão que, como nos ensina a doutrina sobre os sacramentos, torna eficaz o agir do sacerdote, mesmo para além dos seus méritos pessoais.

Somos chamados à comunhão para ser servos da comunhão, para nos tornarmos amor aos irmãos, amor que sofre, que se alegra e que se põe gratuitamente a serviço. A comunhão pessoal, a pertença ao Senhor, torna-se para nós, ao mesmo tempo, um sublime dom e uma desafiadora tarefa. Certamente, tudo isso pressupõe um grande trabalho sobre nós mesmos, um caminho de ascese, de purificação e de correção da própria humanidade; pressupõe, como diria São Bento, saber descer os doze degraus da humildade. Descendo os degraus da humildade nós poderemos ser ponte, tapete, sobre o qual os nossos fiéis podem caminhar para ir na direção de Cristo e para acolher Cristo, que vem na direção deles.

Ser servo é nossa missão, é missão da Igreja. Temos que fazê-lo hoje em um mundo no qual parece sempre não ter mais lugar para Deus, um mundo no qual o materialismo tomou conta de tudo, que perde seus valores, onde não tem mais justiça, fraternidade, onde não tem mais carinho para com os outros. Ser servo é fazer parte da Igreja que caminha, aquela Igreja servidora, que o Papa Francisco compara a um campo de batalha. A Igreja que vai à periferia não somente material, mas sobretudo existencial. Aquelas periferias onde falta a presença de Deus, onde falta a presença de Cristo, onde não mora mais a segurança de ter um amigo que nos acompanhe.

Peçamos à bem-aventurada Virgem Maria para conceder-nos a consciência da profundidade, da altura e da responsabilidade do nosso ministério, a serviço da comunhão eclesial e, ao mesmo tempo, ela, Mãe da Igreja, seja a primeira guardiã da comunhão em nós com Cristo e, em torno de nós, com a Igreja.

Caro Diácono Marcelo, que a intercessão da Virgem Maria e de São Pio de Pietreltina, te leve a exercer adequadamente o ministério sacerdotal, e a viver a experiência da comunhão eclesial. Que a comunhão com Cristo te leve sempre mais à missão, sobretudo servindo àqueles que estão atravessando situações de doença, de desespero, de luto, de trevas e de ódio.

Que Deus te abençoe e te torne profeta, sacerdote e servo no seu Reino de amor, justiça e paz.

Assim seja!

Marília, 22 de setembro de 2017

Dom Luiz Antonio Cipolini
Bispo Diocesano