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Paróquia em renovação

Mensagens do Bispo

“A paróquia é comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário.” (EG 28)

Celebrar o aniversário da Paróquia Santa Genoveva, significa também, refletir na maneira concreta como viver esta realidade. Uma Igreja sólida como instituição, mas vazia de vida comunitária, não estaria de acordo com a inspiração do Novo testamento: “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um.” (At 2,42-45).

O termo paróquia é de origem grega. O substantivo “paroikia” tem o sentido de morada em terra alheia, estrangeira, como uma situação de exílio. O termo, nas Escrituras, tem dois significados: aplica-se a quem está na situação de peregrino ou estrangeiro ou a quem tem um verdadeiro domicílio em terra estrangeira. O termo “paroikia” aparece dezesseis vezes no Antigo Testamento, designando o Povo de Deus, que vive no estrangeiro, sem direito à cidadania; e duas vezes no Novo Testamento, referindo-se ao Povo de Deus da nova e eterna aliança, a Igreja de Deus e de Cristo.

“Paroikia” é o termo utilizado para designar a comunidade cristã enquanto tal, pois os cristãos se sentem como Igreja vivendo em terra estrangeira, seja em relação ao judaísmo, seja em relação à pátria, pois se encontram fora da Palestina como, pouco depois, no seio hostil do império romano. São Paulo dá um sentido teológico a essa condição de vida dos cristãos, concebendo uma Igreja como uma comunidade eclesial estrangeira, isto é, diferente e em contraste a todo tipo de sociedade, que contradiga os ideais evangélicos de vida em plenitude para todos.

A paróquia, como a conhecemos nos dias de hoje, surgiu no século IV. Com a assunção do cristianismo a religião oficial, a pertença à Igreja não é mais fruto da atividade missionária, mas de nascimento numa família e num império cristão. De uma Igreja comunidade, se passa a uma Igreja massa, assim como cidadão vai confundir-se com cristão. As assembléias cristãs tornam-se cada vez mais massivas e anônimas. Contribuiu para isso, a expansão do cristianismo, agora tornado religião oficial, e a liberdade de ter templo.

No Concílio Vaticano II, a paróquia é concebida em estreita analogia com a Igreja Local. Enquanto a Igreja Local é porção do Povo de Deus, a paróquia é parte ou parcela da Diocese. Ela se autocompreende a partir da Igreja Local, porquanto, diz o Concílio, é “célula da diocese” (AA 10), presidida pelo ministério episcopal. Em sintonia com a eclesiologia de comunhão, para o Vaticano II, a paróquia é “congregação de fiéis” (LG 28), confiada a um presbítero, que representa o bispo (PO 5a), pois sozinha não é Igreja. É “comunidade de fiéis” (SC 42), tendo por finalidade formar cristãos por meio da iniciação cristã.

Em conseqüência, a ação paroquial se insere na pastoral diocesana, do mesmo modo como os presbíteros estão incardinados no presbitério diocesano, junto ao bispo. Concretamente, diz o Concílio: “os párocos, a um título especial, são cooperadores do bispo; a eles sob a autoridade do bispo, como a pastores próprios, se entrega a cura das almas em determinada parte da Diocese” (CD 30). Dadas suas estruturas, extensão territorial e abrangência de grande número de fiéis, em grande medida, a paróquia continua desafiada a superar as relações massivas, a ser promotora de uma verdadeira iniciação cristã, enfim, a ser Igreja comunhão, toda ela ministerial.

Diante da configuração atual das paróquias e no esforço de se tornar real a Igreja como comunhão, impõe-se a pergunta: como a paróquia pode ser comunidade de comunidades, no seio da Igreja Local? E mais, o que significa ser comunidade, hoje, e como efetivá-la? É preciso descentralizar as grandes paróquias impessoais ou massivas em ambientes simples e vitais, tornando-se espaço promotor de resgate da identidade, dignidade e autoestima. Em seu seio, os pobres deixam de ser objetos da caridade ou da assistência alheia, para tornarem-se sujeitos de outro mundo possível, inclusivo e solidário.

Ser Igreja-comunidade é uma realidade permanente, pois, do contrário, a Igreja deixaria de ser a Igreja de Jesus Cristo. Entretanto, o modo de ser comunidade precisa ser reinventado continuamente, segundo as condições e necessidades de cada época. Dado o tamanho de nossa Diocese, torna-se necessário criar comunidades, dentro dela, de tamanho humano, que permitam uma experiência comunitária da fé. Nessa perspectiva, a paróquia será uma estrutura verdadeiramente eclesial, quando for constituída de uma rede de pequenas comunidades, constituindo-se numa comunidade de comunidades.

O nosso Primeiro Plano Diocesano de Pastoral, colocado em prática, poderá inspirar nossas paróquias, no compromisso de fé em Jesus Cristo, e nos ajudar a continuar no mundo, sua ação salvadora. Parabéns Comunidade Paroquial Santa Genoveva de Irapuru!

 

 

Pastoral da Esperança de Marília
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